Vagas de emprego encalham: O despreparo das empresas de TI

A Info Exame veiculou essa semana uma matéria interessante: “Vagas de emprego em TI encalham. Saiba por que“.

Nela são ouvidos profissionais da área de gestão e contratação de pessoas de empresas renomadas, como Accenture e Stefanini, que apontam divergências entre a pretensão salarial dos candidatos e a oferta normal do mercado, a escassez de profissionais qualificados, entre outros. Apesar de entender em parte as lamúrias do pessoal que faz a seleção, para mim a matéria apenas transpareceu o despreparo de empresas grandes para lidar com a nova leva de profissionais que ingressou no mercado nos últimos anos.

Um dos pontos citados é o fato das universidades gerarem cada vez pessoal menos especializado. Não só concordo com esse ponto, como acho extremamente válido, além de uma postura correta por parte das universidades, não é válido ter cursos altamente especializados para uma absorção mínima por parte do mercado, sendo na maioria das vezes mais interessante dar um curso “genérico”, que estabeleça as bases e permita ao egresso buscar uma especialização na área de interesse ou atuação. Tomando como exemplo a área de Business Intelligence, há relativamente poucos profissionais nessa área, mas daí a criar um curso universitário para isso, seria um belo exagero, além de em um curto espaço de tempo tornar o mercado saturado e desvalorizar os profissionais.

Mas acho que o argumento mais fraco mesmo foi sobre profissionais mudarem de empresa por diferença salarial pequena. Acontece, praticamente todos temos algum conhecido que mudou de emprego por 50 reais, mas não é caso de se apontar como uma “tendência”, acho que isso apenas deixa claro como as empresas de TI estão despreparadas para lidar com profissionais que busquem algo mais no trabalho. Geralmente quando alguém muda de emprego por uma diferença salarial muito pequena, isso apenas indica que a empresa não oferecia qualquer motivo ou diferencial para a permanência do empregado.

Raramente vi empresas pequenas reclamando disso, no máximo o que vi (e vivenciei, enquanto empregado) é que muitas empresas pequenas simplesmente não têm como concorrer em termos de salário com outras maiores como as anteriormente citadas. O que me parece é que cada vez mais empresas maiores querem profissionais altamente capacitados, altamente dedicados, que aceitem um salário “na média” e sejam inteiramente fiéis a empresa. Espero que um dia elas aprendam que os profissionais, especialmente de áreas com grande quantidade de postos abertos como TI, precisam contar com um diferencial no emprego para se manterem felizes,  se não for o salário ou o desafio, que sejam o ambiente, a relação com a gerência ou a possibilidade de crescimento, que são coisas praticamente inexistentes em muitas empresas por aí.

Enfim, são visões pessoais sobre a matéria citada. Ficam abertos para discussão os comentários.

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    • Edmar Souza
    • 5 de dezembro de 2011

    A área de TI é totalmente exigente no quesito conhecimento curricular, mas pagam salários miseráveis e pressão emocional ao extremo. As empresas têm que entender que o profissional quer desafio e crescimento profissional em todos os sentidos, que proporcione a superar obstáculos e aumenta seu campo de conhecimento. Se isso não é proporcionado, o profissional busca quem os proporcione.

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